2
Dia 2, segunda-feira, 7/01/2008

Pelotas a Punta del Diablo, 280km

Levantei as 7:00, pela janela vejo que o sol promete... fui tomar cafe; o restaurante do hotel tem um fulano fantasiado de cozinheiro, aquele chapelao, que fica junto ao bufe, faz ovos mexidos na hora, coisa fina... tem tambem um teto com vigas muito baixas, o arquiteto e o engenheiro nao se conversaram... e um outro garçon muito alto, mais de 2 metros, vai passando pelas vigas, se abaixa no automatico, quis perguntar se alguma vez tinha esquecido de se abaixar... mas ele foi atender a mesa no outro lado, e me fui, fiz o checkout, arumei a bagagem na moto, sai.

Fui a ate a revenda Kasinski pra dar uma geral na moto, corrente, o parabrisa tava meio frouxo. Na verdade é so uma revenda mesmo, nao tem oficina, esta funciona em frente, na concessionaria Suzuki, que é do mesmo dono... mas me atenderam bem, tudo certo, achei a saida pra BR, direcao Rio Grande.


de volta pra estrada

Muito sol e calor, jaqueta nem pensar, tava quase pilotando de bermuda e chinelo... ok, nao pode, ta errado, ta bom...


sundown 30

Dei uma entradinha em Rio Grande, so pra conhecer, o porto, praca, centro, volto pra estrada, direcao Chui.


trevo de Rio Grande


Rio Grande


rumbo al sur

Parei pra tirar umas fotos, e aparecem de novos os lagunenses e suas VBlades; pararam pra ver se ta tudo bem, a solidariedade da estrada, e seguimos juntos, sol, vento, calor, agora sao 4 motos e 1 van, as motos vao se revezando na frente, retas interminaveis, transito quase nenhum. Paramos na reserva do Taim, fotos, agua e cerveja, e chegamos ao Chui, estavamos na beiradinha do Brasil.


com os vbladers no taim

A rua central que divide Chui de Chuy, Brasil de Uruguay, do lado uruguayo é um freeshop linear, eletronicos, bebidas, perfumes, meio Ciudade de Leste, um pouco menos bagunçado... não queria comprar nada, mas vi por exemplo cameras da Sony por menos da metade do que se paga num Ponto Frio da vida, pra quem ta querendo comprar parece ser bom negocio... e dizem que o que mais vale a pena sao perfumes e bebidas.


no Chui com os VBladers


pelego na VBlade

Me despeço, queria seguir adiante, entrar no Uruguay, me voy. Na fronteira é tudo tranquilo, a carta verde que fiz me informam que nao é necessaria pra motos, tava tirando os docs da moto da pochete, ta meio dificil de sair, o oficial da migracion diz tudo bien, posso seguir, nem olhou; so carimbei o passaporte e peguei o papelzinho de entrada no pais, guardar bem, tem que devolver na saida...


migracion uruguaya

E adelante, em terras e rutas uruguayas, la vai a intrepida miraginha, ta se comportando muito bem, a menina... A estrada é boa, pista simples com pouquissimo trafego, 110 é o limite, perfeito pra minha 250.


110 km/h

Tem a entrada para La Coronilla, fiquei aqui em 1988, quando fiz o mesmo passeio de carro ( puxa, são 20 anos ja...); e logo chego a Fortaleza de Santa Tereza, magnifica, se avista ao longe, essa vale a visita.


Fortaleza de Santa Tereza

Peguei o acesso, 1km ou menos, mas nao queria entrar, ja a vistara 2 vezes, 88 e 97, mas a vista de fora é magica, as pedras com a patina dourada, o ceu azul celeste, como a bandeira uruguaya tremulando ao vento, a mirage prata faiscando ao sol ainda forte na tarde de verao uruguayo.... de arrepiar... um belo cartao de boas vindas desse simpatico pais...


turista


fortaleza dourada


celeste uruguaya

Resolvi comer algo na lanchonete em frente a Fortaleza, sao 18:00, nao tinha almocado; apenas os atendentes, uma radio uruguaya com musica brasileira, alguns carros de turistas no gramado que serve de estacionamento, a maioria argentinos, uno de ellos saca una foto para mi, que tal meu portunhol ?... To quase seguindo viagem, aparece uma imensa Harley, um casal, placa de Curitiba, param ao lado da minha magrela (por comparaçãoo...). Conversamos, tao vindo do Chile, conhecem os PHDs de Blumenau (Proprietarios de Harley Davidson), parece que todos os harleyros se conhecem... e sigo adiante, rumo a Punta del Diablo, meu 1o. destino no Uruguay.


al diablo entonces...

É logo adiante, saida da Ruta 5, alguns quilometros, casas simples, coloridas, rusticas e charmosas, digamos assim, pra quem curte arquitetura tem muito pra admirar; chego ao centrinho do lugar, é meio caotico, um faroeste, as ruas vao acontecendo no meio da areia, calcadas, essas coisas, nem pensar, tem construções quase na praia, muita gente jovem, dai a pouco vao me mandar embora... não, tudo muito zen, o sol ja baixo, a praia cheia, o mar, uma luz dourada vai cobrindo tudo, e o vento...


o sol raso

Circulei um pouco, algumas preguntas, finalmente acho o edificio rojo do Diablo Tranquilo, onde havia feito reserva, alias boa ideia, tava tudo lotado. Paro a moto em frente ao hotel, na areia, tive que achar uma pedra pra botar debaixo de pezinho, senão afundava... Na recepção me atende um jovem sueco, nao deve ter mais de 18, gurizão, ta passando uns meses na America do Sul, aprendendo espanhol, abla melhor que yo. Garagem pra moto ? Não tem, mas sem problema, é seguro, pode deixar ai na frente... entao tá...

O lugar parece aqueles hostales de Cusco, uma legião estrangeira, tem suecos (talvez conhecidos do Per, da recepção, todos loiros e momentaneamnte rosados, excesso de sol uruguayo, presumo), alemães, austriacos, americanos, argentinos, e ate brasileiros, poucos. A recepção tem um pe direito duplo, janelao, um sofa em semi-circulo em frente a lareira, mochilas espalhadas, la fora a luz dourada da tarde.... bacaninha...

Tirei as malas da moto, fui pro meu quarto, sao 8 camas, 4 beliches, tem 1 gavetão com chave pra guardar as coisas, mas parece que ninguem usa, ta tudo espalhado pelo chao, em cima das camas, uma zona, tem um cara dormindo, so de cueca, outro ta lendo um livro, é alemão... o banheiro é no corredor, passa uma loira sueca enrolada na toalha, ok... parece um lugar divertido... Saio, ja é tarde, mas o sol não ta querendo ir embora, vou conhecer um pouco das arquiteturas alternativas, é bem o que gosto, rustico sem ser esculhambado, detalhes, cores, materiais, fotografo tudo, quem sabe inspiração pra futuros projetos.


voando

Bom, Punta del Diablo tem uma... punta, uma ponta rochosa que avança pelo mar, as ondas, espuma branca, pescadores, casais e crianças, cachorros saltitando, vento e gaivotas, a praia ja mais vazia, pessoas ate de moleton, vento, vento, e o sol se poe, colorido como numa pintura da feirinha de artesanato aos domingos... o ceu é de um azul transparente, cada vez mais róseo, as luzes das casas vao se acendendo, não ha muita iluminacao publica, só no centrinho; sao as casas, lanternas gigantes, que iluminam o vilarejo... es um lugar muy buena onda, como disse o Per nos email que trocamos quando fazia a reserva...


a ponta de la punta


patriota


esperando o por do sol


que dia !


faroeste da praça central


e anoitece...


casas lanternas

E ufa, finalmente escurece, fui jantar num restaurante bacaninha, boa iluminação, um mozo muito simpatico, gente bonita... na falta de companhia, concluo as anotações do dia, e o planejamento do dia seguinte, e voltei ao Diablo Tranquilo; a moto ainda estava la, no meio da areia... fui checar se estava firme, mais uma pedra bem chata debaixo do pezinho, e sea lo que Dios quiera..

Na cozinha coletiva tem gente fazendo caipirinha, resolvo ficar pra mais uma cerveza, estao la Claudia, peruana que se reveza com Per na recepcao, e Fabio, mochileiro paulista, conversamos, diz Claudia que para os peruanos os brasileiros sao os que estao sempre de bom humor fazendo festa... e os argentinos? Esses sao uns tontos, diz a moça... será que não somos só nosotros brasilenos que implicamos com os hermanos ? Semana seguinte vai pro Brasil, nao sabe se Foz do Iguacu ou Florianopolis.. Floripa !...

Buenas noches, mañana hay mas... Vou pro quarto, é tarde, pra chegar na minha cama tropeco na perna da moca que ta dormindo perto da porta, sorry, e fora o cara roncando na cama acima da minha, tudo bem... de fora se ouvem risadas, gritos, a festa ta rolando, ja descreveram Punta del Diablo como uma rave permanente...

Se esticar o pescoço consigo ver a moto la fora, ainda ta la... e em pe...

< dia 1  |  dia 3 >