antes

Pra começar...

VRUUUUUM !.... era o que estava escrito no calendario que montei aos 17 anos, um desenho de uma moto, e os dias pra ir riscando, era tipo um daqueles calendarios que contam os dias pro Natal; o meu contava os dias pra fazer 18 anos e estar livre pra andar de moto... Andava na verdade desde os 15, depois que consegui convencer meu pai a comprar uma moto, uma valente Yamaha RD50, fazendo fumaca na Alameda, a unica rua com asfalto da cidade... ou sera que conta a bicicleta motorizada antes disso ? Pra subir o morro la de casa tinha que pedalar com vontade...


motoserra...


RD50

Mas antes dos 18 eram passeios e trilhas com os colegas, usando rotas alternativas pra driblar a guarda de transito... Aos 17 anos e 11 meses tirei a carteira de motorista, cheguei pra fazer o exame dirigindo o carro do meu pai, o cara perguntou se eu sabia dirigir moto tambem, e pronto, tava habilitado pros dois... o mundo era mais simples...

E peguei minha 1a. estrada, fui ate a praia pilotando a fumacenta, motor 2 tempos, 80 por hora ! Depois evoluimos, eu e meu irmao, andavamos numa cg, azul, aquelas de tanque arredondado... fui estudar em curitiba, fiz algumas viagens subindo a serra, no litoral andava pra visitar a namorada algumas praias adiante, sonhava com as grandes aventuras de moto...


cegezinha...


pequena grande aventura

Depois de casar tive outra cg, vermelha, tanque quadrado, andava basicamente na cidade, pro trabalho. Um ou outro passeio pro litoral.


CG 85

E depois uma MZ (alema oriental, 250cc, alguem lembra ?), apareceu por aqui no final da decada de 80, era grandona, mas nao andava nada...


alemã oriental

Nasceu meu filho, o vento da moto me dava sinusite, as costas doiam... acabei vendendo a moto, e os sonhos sobre 2 rodas ficaram guardados...

O tempo passou, o filho cresceu, os cabelos ao vento o vento levou, e chegou a hora de voltar pra estrada, de cumprir o destino... foram 2 anos cozinhando a ideia, tentando superar o medo creio que escondido dentro de todos nos, conversas com amigos, conheci a mirage em revistas e na internet, e vi que seria ela... Um dia abriu a concessionaria aqui em Blumenau, apareci la de bicicleta, a noite, pra ver a dita ao vivo... semanas depois cheguei com ela em casa, a esposa nao ficou la muito contente... crise da meia-idade, disse ela ... bendita crise, me respondeu outro mirageiro.

Ela nao anda com a "lambreta" nem amarrada...

Enfim, mais um motociclista de barba branca, cintura vasta, cabeleira nem tanto... pronto pra queimar gasolina por ai.


primeiro passeio

Ok, a mirage 250 nao é nenhuma Harley, muitos me torcem o nariz, ih, 250, só ... Bom, na verdade eu nao tinha tanta certeza assim dessa coisa de "cumprir o destino", nao me sentia seguro de que era isso mesmo, sera que as costas e o torcicolo nao iam me fazer desisitir, pelo menos o investimento era menor... Alem disso, 20 anos sem andar de moto, e sem experiencia de motos maiores, achei que seria mais prudente (re)comecar devagar... Quem sabe mais pra frente encare um motor maior, provavelmente sim.

Mas a Mirage tava em casa, o estorvo na garagem ( adivinhem que diz isso...), entao comecei a leva-la pra passear, é a moto macarronada, so sai nos fins de semana, que durante a semana o carro tem ar condicionado, nao chove dentro, escuta-se um sonzinho, bem mais pratico... Foram diversos passeios do cavaleiro solitario, acho que nao tem 1km de asfalto num raio de 300km que eu nao tenha percorrido... e muita estrada de barro, serra, vale, planicie, cidades do interior, o prazer do sol no horizonte, a estrada aberta, o ronco firme da moto, o vento açoitando o capacete, um sorriso nos labios, ... com os meses, a lambreta foi ganhando pinduricalhos, parabrisa, matacachorro, alforges (sem franjinhas, mas com rebites cromados...), fiz 9.000km em 11 meses.


todo bobo...


cartão postal

Fui lendo relatos de viagens, foruns na internet, ate easy rider assisti, e os wild hogs. E decidi, tava na hora de levar a lambreta pra mais longe, ate entao voltara sempre no mesmo dia. Seria pro Uruguay, em boa parte motivado pelo colega Lufrena, de Brasilia, que fez esse roteiro no verão passado.

É exterior, tem cara de grande aventura, apesar de ser proximo pra nos sulistas, nao tem os percalcos da altitude e do frio das expedicoes ao Chile e Argentina, as estradas sao tranquilas, enfim, tava de bom tamanho. E so 1 semana, que o trabalho chama... Ja conhecia parcialmente o roteiro, de viagens anteriores de carro, a ultima ha 11 anos atras, mas a perspectiva dessa vez seria completamente diferente.

Quando? em funcao de compromissos de trabalho e familiares, comeco de janeiro, ninguem trabalha nessa epoca mesmo, seria mais facil enrolar os clientes (ups)... o problema é que é alta estação na costa uruguaya, hoteis lotados e caros, ... e descobri depois, muuuuito calor, nao combina com as roupas, botas, luvas pretas que fazem parte da fantasia ( vai dizer que esses encontros de motos nao parecem um baile a fantasia ?...) Mas fazer o que, tudo vale a pena se alma nao é pequena, e menor que o meu sonho nao posso ser...

Ir sozinho ? Bom, tem suas vantagens, mas a principio alguns companheiros seria melhor, é mais seguro, pra começar. A mulher nao iria de jeito maneira, nao adiantava insistir, esse sonho nao era o dela... E por aqui em Blumenau eu tava ainda meio desenturmado, ha poucas mirages, ou outras customs 250; talvez simplesmente nao tenha surgido a oportunidade, e sempre fui meio individualista. De qualquer maneira, em longos percursos, sozinho ou em grupo, ha sempre a solidão dentro do capacete, quando a gente organiza as ideias, resolve projetos encalhados, encontra solucoes...

Seria apenas 1 semana, e encontraria a familia de meu irmao, coincidiu minha viagem com um cruzeiro que fariam este verao, ajustei meu roteiro para passear com eles em Punta del Este e Montevideo.

Tem a turma de POA, mirgeiros no Orkut, que se interessou em fazer o passeio, mas ja percebi acompanhando outros motociclistas lancando ideias de viagem, que o entusiasmo inicial geralmente nao vai adiante, tem-se outros compromissos, e enfim, por diversos motivos, a viagem seria mesmo na companhia do meu anjo da guarda ( citando Antonio, mirageiro-fazer-eiro de Sao Jose, SC, vai pro Atacama em fevereiro - de Fazer, para decepcao dos colegas mirageiros, mas optou pela seguranca da injecao eletronica da Yamaha pra vencer os 5.000m da cordilheira, é um cara sensato... vejam mais em http://atlantico-ao-pacifico.blogspot.com/).

Passei os ultimos 2 meses pesquisando o roteiro, hoteis, fiz reservas em Punta del Diablo, Punta del Este, Montevideo e Colonia del Sacramento, pra garantir, fica mais facil, ao inves de ficar rodando atras de hotel ao chegar tarde em algum lugar. Comprei pela internet um guia de rutas da America do Sul, ja pensando tambem nas proximas aventuras... Verifiquei a documentacao necessaria, na verdade nada a mais do que pra rodar no Brasil, mesmo a tal carta verde, seguro obrigatorio para autos, nao é exigido para motos no Uruguay. Essa informação so foi confirmada na fronteira em Chui, cheguei a fazer a carta verde, R$65, mas nao foi necessaria. Fiz a revisao dos 9.000km da moto, com checagem geral, pneus, motor, aperto geral de parafusos, farois, etc, ajustei o parabrisa que de vez em quando afrouxava, comprei o reparo de pneu, ferramentas pra ajustes basicos.


roteiro do trecho uruguayo

Bagagem: com a leitura dos relatos de viagens, nas comunidades do orkut, sites como o Inema, fui montando a minha lista, nada muito complicado, afinal, seria um passeio de 1 semana... Qualquer coisa que faltasse, levei alguns dolares, cartao de credito, o cartao do banco pra sacar nos automaticos em moeda local, é como se estivesse em casa, o que faltasse comprava por la... E é isso, ta chegando o dia, tá na hora...

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